o homem que não sabia peidar
por fora, era um verdadeiro dândi. elegante, culto, era capaz de conversar horas sobre os clássicos ou as estrelas ou a culinária oriental.
mulheres praticamente imploraram que se casasse com elas. ele até gostava bastante de uma delas mas era incapaz de compartilhar sua intimidade, porque sua intimidade era o inferno de não saber peidar.
não que passasse incólume por todo o processo flatulento. o mal-estar, as dores, os incômodos, tudo isso lhe era familiar. o que lhe faltava era somente o ato social da coisa, soltar o pum propriamente dito.
tentara de tudo, da acupuntura à ginástica passando (óbvio!) pela psicanálise. aprendeu muitas coisas interessantes mas nada de conseguir peidar.
tinha passado aquele dia inteiro aflito e seus medos acabaram se confirmando. o encontro com ela fora desastroso.
já estava acostumado. seus piores ataques de gases aconteciam nessas ocasiões e transformavam-no num ranzinza monossilábico ao invés da pessoa carismática e agradável de costume. o que o revoltava desta vez era o fato de estar realmente encantado com marina.
resignado com seu fracasso, foi deixá-la em casa. foi surpreendente ela ter lhe beijado naquele momento.
mas ainda mais surpreendente foi o finíssimo, duradouro e confortante fio de ar que finalmente foi expelido de seu corpo durante esse beijo.
a sensação que experimentou foi divina. surpreendeu-se com o poder de algo tão pequeno e delicado.
estava amando.
mulheres praticamente imploraram que se casasse com elas. ele até gostava bastante de uma delas mas era incapaz de compartilhar sua intimidade, porque sua intimidade era o inferno de não saber peidar.
não que passasse incólume por todo o processo flatulento. o mal-estar, as dores, os incômodos, tudo isso lhe era familiar. o que lhe faltava era somente o ato social da coisa, soltar o pum propriamente dito.
tentara de tudo, da acupuntura à ginástica passando (óbvio!) pela psicanálise. aprendeu muitas coisas interessantes mas nada de conseguir peidar.
tinha passado aquele dia inteiro aflito e seus medos acabaram se confirmando. o encontro com ela fora desastroso.
já estava acostumado. seus piores ataques de gases aconteciam nessas ocasiões e transformavam-no num ranzinza monossilábico ao invés da pessoa carismática e agradável de costume. o que o revoltava desta vez era o fato de estar realmente encantado com marina.
resignado com seu fracasso, foi deixá-la em casa. foi surpreendente ela ter lhe beijado naquele momento.
mas ainda mais surpreendente foi o finíssimo, duradouro e confortante fio de ar que finalmente foi expelido de seu corpo durante esse beijo.
a sensação que experimentou foi divina. surpreendeu-se com o poder de algo tão pequeno e delicado.
estava amando.

